ROUBARAM ATÉ NOSSA ESPERANÇA. O QUE AINDA PODEMOS FAZER?

Compartilhe:

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter

Precisamos fazer a coisa certa pelo Brasil. Já conseguimos uma vez e podemos conseguir de novo, com mais empenho, união e organização.

A demagogia, o cinismo, a corrupção, o mau-caratismo, o estelionato e o crime organizado venceram. Por enquanto… Como disse Jair Bolsonaro, o grande mentor das maquinações vergonhosas que garantiram a compra dos votos para eleger Arthur Lira e Rodrigo Pacheco para as presidências da Câmara e do Senado: “Tudo acaba um dia”. Ele se referia a Rodrigo Maia; eu me refiro a ele, que – assim como Trump (por bem menos) – será apeado do poder no ano que vem. A hora de Lula demorou, mas chegou. A hora dos Bolsonaros também chegará. É bíblico: chama-se Lei da Semeadura e está registrada em Gálatas 6:7: “Pois o que o homem semear isso também colherá”.

Enquanto não chega o tempo de Bolsonaro colher os frutos de seus malfeitos e traições (2022 é logo ali…), precisamos fazer a nossa parte. Não podemos desistir, pois, se fizermos isso, daremos ainda mais espaço para os corruptos ocuparem e o preço que teremos de pagar só aumentará. É hora de trazermos à memória o que pode nos dar esperança. Sei que parece difícil virar esse jogo, mas já fizemos isso antes. Vamos relembrar.

Junho de 2013. De forma surpreendente e orgânica, a indignação que tomava conta das redes sociais encheu as ruas do país, dando início às megamanifestações que culminaram no impeachment de Dilma Roussef.

Tudo começou na abertura da Copa das Confederações, no dia 15 de junho, por causa do aumento de 20 centavos na passagem de ônibus, em São Paulo. Na verdade, essa foi apenas a gota d’água que extrapolou a indignação por termos que “pagar a conta” do investimento bilionário na construção de elefantes brancos para a Copa de 2014, com o grande propósito de, mais uma vez, desviarem dinheiro dos nossos impostos para os bolsos de corruptos seriais.

No dia 17 de junho, a chamada Marcha do Vinagre – em alusão ao produto usado para amenizar os efeitos do gás lacrimogêneo lançado pela polícia para conter os protestos – uniu mais de 10 mil pessoas em Brasília, no que se transformaria em um dos momentos mais icônicos da política nacional: milhares desses manifestantes subiram no telhado do Congresso Nacional.

Houve uma onda de manifestações pelo Brasil. Pressionados como nunca, o governo Dilma e o Congresso tiveram que se mexer. Renan Calheiros, ele mesmo!, presidente do Senado na época, se viu encurralado e correu para, juntamente com a Câmara dos Deputados, desengavetar projetos anticorrupção, que, rapidamente, foram sancionados pelo Executivo.

Foi assim que a Lei Anticorrupção, que pune empresas e permite acordos de leniência em casos de crimes contra a administração pública, foi aprovada; assim como a proposta que define o que é organização criminosa e estabelece regras para acordos de delação premiada. Foram essas leis que possibilitaram, no ano seguinte, o surgimento da operação Lava Jato.

Por falta de uma agenda organizada e persistência dos movimentos, projetos importantes (como o que transforma a corrupção em crime hediondo, o que acaba com o foro privilegiado e o da reforma política) ficaram para trás, deixando escapar a oportunidade do Brasil se livrar de uma boa parte dos problemas que travam o seu crescimento e se transformar em um líder mundial.

Para alguns estudiosos, como a socióloga da USP Ângela Alonso, “junho de 2013 é um mês que não terminou”. Eu concordo com ela. Começamos o serviço, não tivemos a resiliência necessária para ir até o final e, depois, fomos ingênuos o bastante para acreditar que um deputado imprestável e oportunista do baixo-clero iria criar as condições para viabilizar o país que começou a se desenhar em 2013 e que se tornou real com a operação Lava Jato e o trabalho excepcional e corajoso de Sergio Moro, Deltan Dallagnol e demais membros da força-tarefa, que juntou o Ministério Público e a Polícia Federal.

“Não há vento favorável para quem não sabe aonde vai.” 

Sêneca

Se há uma coisa que esse episódio nos ensina é que a resposta está no povo. Em mim, em você, em nós. Eu imagino o que você deve estar pensando: mas não temos como juntar milhões de pessoas nas ruas agora, no meio de uma pandemia e com uma nova cepa mortal do vírus sendo espalhada pelo país. É verdade! Não temos…

As palavras de Ulisses Guimarães – “Só o povo nas ruas mete medo em político” – ecoam nas nossas mentes, mas vamos refletir sobre isso. Na época dele não havia as redes sociais e as diversas ferramentas da democracia digital. Em algum momento, voltaremos às ruas com força total, mas, infelizmente – salvo se algo mudar radicalmente no cenário atual, com instituições importantes cooptadas pelo bolsonarismo – o impeachment torna-se cada vez mais distante e inviável.

Eis então a minha proposta: se não conseguimos mudar o país nas ruas, vamos mudar definitivamente nas urnas e, até lá, vamos usar as novas estratégias da democracia digital para nos prepararmos, pressionarmos e nos organizarmos para irmos até o final. E, dessa vez, fazermos todas as reformas necessárias, nos três poderes.

Os efeitos impressionantes da internet e das redes sociais na democracia participativa têm sido objeto de diversos estudos. A tecnologia tem contribuído para vencer a inércia e engajar mais pessoas no debate político. Apesar do uso negativo por grupos mal intencionados, a democracia digital dá voz ativa aos cidadãos e permite a formação de comunidades virtuais voltadas para o enfrentamento dos problemas que afetam a sociedade. Vamos usar essas ferramentas!

Não vamos esperar 2022 chegar e os partidos, que são super bem remunerados para fazerem a “seleção de recursos humanos” para o Planalto e o Congresso, nos apresentarem os mesmos bandidos de sempre. Vamos agora atrás de bons nomes para eleger o melhor Congresso Nacional da nossa história e unir nossos esforços para pavimentar o caminho para termos um presidente como Sergio Moro. “Não há vento favorável para quem não sabe aonde vai”, nos ensinou Sêneca, escritor e filósofo do Império Romano. Se soubermos aonde queremos chegar, vamos ter mais chances de sermos bem-sucedidos e fazermos a coisa certa para o Brasil e para a nossa e as futuras gerações.

Recomendados

DELTAN SE FILIA AMANHÃ AO PODEMOS

O ex-coordenador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, se filia ao Podemos nessa sexta-feita, dia 10 de dezembro. O evento contará com

9 respostas

  1. Será que temos salvação? Com a pandemia as pessoas estão receosas de ir às ruas. Acho que quando a vacinação avançar vamos ver o povo fazendo pressão e aí a conta vai chegar.

  2. Até a pandemia beneficiou o vigarista. Mas a hora dele vai chegar! E eu estou no Twitter todos os dias mandando meu recado, simples e direto! #ForaBolsonaro

  3. Parabéns pelas palavras! Precisamos de lideranças difusas e sistemáticas. Precisamos de massa crítica para criar um novo 2013. Esse ano foi o “basta”! Tivemos avanços e, agora, retrocessos! Precisamos do povo mobilizado de bons políticos e lideranças nacionais e regionais. No congresso Simone Tebet teve 21 votos. Marcel Van Hattem 13. Esse é o real número de políticos que podemos contar. Os demais são fisiologistas. Será difícil, mas não impossível!

  4. Belo texto! Parabéns pela excelente e oportuna iniciativa! Vou ajudar a divulgar e dar RT sempre que visualizar seus textos!

  5. O bem sempre há de vencer o mal. É Teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça. Cá estamos e jamais vamos parar.

  6. Para qualquer começo há uma ideia e subsequente ação. O esboço foi desenhado e escrito, agora é hora de continuar a ação. E penso, que a nível individual, conversar diretamente com as pessoas para formar a base do trabalho com força.

  7. Eles irão colher os frutos do que plantaram. O povo brasileiro nunca mais será o mesmo depois da Lava Jato. Não há mais como esconder a verdade, mesmo com toda a desinformação. Ainda que tenhamos milhões de derrotas, nunca mais nos deixaremos enganar, essa é que é a verdade com a qual eles ainda não contam. Vão ficar surpresos em 2022. Parabéns, pela iniciativa! E que tenhamos a resiliência necessária!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *