RENATA ABREU: “EU ACREDITO QUE O MORO VIRÁ. ELE É O CANDIDATO COM MAIOR POTENCIAL ELEITORAL.”

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A deputada federal Renata Abreu tem um desafio e tanto pela frente: consolidar uma candidatura da chamada terceira via pelo Podemos, partido do qual ela é presidente. O principal nome com quem o partido tem conversado é ninguém menos que Sergio Moro.

Nessa entrevista, a Renata falou sobre sua jornada pessoal na política, os planos do Podemos – especialmente com relação à provável candidatura de Moro e quem seria o vice ideal, a PEC da Reforma Eleitoral, a polêmica atuação do senador Eduardo Girão na CPI da Covid, dentre outros assuntos.

Uma ótima leitura e não se esqueça de deixar o seu comentário!

Sabemos que há muitos desafios para as mulheres na política. Como foi a sua trajetória para chegar a deputada federal e presidente de um grande partido?

No início, foi muito difícil. Começa dentro de casa. Eu tive um pai político há muitos anos, que nunca me incentivou a estar na política porque ele sabia que eu iria sofrer. Quando eu decidi sair candidata, a minha mãe fez promessa para eu não sair. O marido me fez prometer que eu só teria um mandato. Foi bem difícil enfrentar as resistências. Acho que não só eu, mas a mulher acaba sofrendo em casa, porque, quando você vai pra política, é natural que você fique mais ausente de casa, da família. Não tem como; ela te suga muito. Para você conseguir ganhar um mandato parlamentar é necessário muita dedicação. Eu passei um ano da minha vida sem sábado, sem domingo e sem feriado. Vereadora, deputada estadual… Meu filho é pequeno e, na época, estava com um bebezinho, ainda de um ano. O marido, naturalmente, sentiu muito a minha falta. E quando você consegue, chega tão cansada que, para nós mulheres, a única atenção que nos resta é para os filhos. A conquista do mandato foi algo muito sacrificante. Então, você chega lá e vê as pessoas que te depositaram muita esperança. No meu primeiro mandato, eu tive 86 mil votos. Vem um sentimento de muita responsabilidade – 86 mil pessoas que foram para as urnas digitar o seu número. Eu me sinto como uma mãe, uma mãe de todo este time que acreditou e muito responsável em não desapontá-los. É um desafio muito grande porque a sociedade não pensa igual em tudo. Qualquer decisão que você tome, é inevitável que você desagrade uma parte e agrade outra. E, nesta política de ódio que se propaga pelo País, as pessoas não aceitam mais quem pensa diferente delas. Eu vou ser agredida, não como parlamentar por qualquer decisão que eu venha a tomar, mas vou ser agredida na família, com jargões ruins. Isso (acontece) com todos os políticos. É triste porque, às vezes, dá vontade de desistir. Mas ao mesmo tempo, quando você consegue – como eu consegui, por exemplo, reabrir uma Santa Casa de uma cidade e ver tanta gente chorando de emoção, com vidas sendo salvas – não tem como você não se emocionar. Acho que a política vai deixar uma herança, uma história da qual seus filhos possam se alegrar. Isso é muito gratificante e nos motiva.

O Podemos aborda bastante a defesa da democracia direta, com uma maior participação popular. Quais são os princípios do partido e as principais vitórias até agora?  

Quando nós fundamos o Podemos, não foi uma mudança de nome. Foi um grande movimento. Foram três anos de estudo, entendendo esta nova sociedade e o que estava acontecendo no mundo e no Brasil. Nós vivemos em uma nova era na história da humanidade. Os padrões da sociedade mudam. Hoje, podemos falar com a nossa família pelo WhatsApp, fazemos as nossas compras por aplicativo. É uma nova realidade que está se estabelecendo no mundo. Nós somos cidadãos do século XXI que estão lidando com instituições políticas concebidas no século XVIII. Você tem uma ruptura no mundo inteiro, que é a maior crise de representatividade de todos os tempos. 89% da população não se identifica com partido nenhum. E esta crise de representatividade, que não é peculiar do Brasil, nos fez refletir: Por que isso está acontecendo? Quem está falando com esta nova geração, com esta nova sociedade conectada? Hoje, a tecnologia, além de eleger os seus representantes, está exigindo dessa nova sociedade uma política mais direta. E isso já tem acontecido. Quando você pega as pautas da política, a população vai pras redes sociais pressionar os parlamentares e muda o voto deles. Essa nova realidade é o que o Podemos tem tentado trazer para dentro da política. O que nós criamos foi um partido-movimento. Por que movimento? Porque ele não tem uma ideologia estática. Porque o mundo não é mais estático. E o que move a sociedade hoje não é mais a briga ideológica que, infelizmente, a política estava nos colocando, de direita ou de esquerda. O muro de Berlim caiu há muito tempo. Quais são as causas? É o “Fora Dilma”, “Fora Temer”, é a Lei da Ficha Limpa, é as “10 medidas contra a corrupção”, é o fim do foro (privilegiado). Isso é muito dinâmico; a sociedade é muito dinâmica. O partido tem que trazer, para dentro das suas bandeiras, causas muito dinâmicas e muito diversificadas. Este é o nosso grande desafio hoje; é o desafio do Podemos: devolver para a população o que ela quer. É ser ouvida! E devolver ao povo algo que é dele. Nós temos grupos no Telegram. A gente manda um link para todas as nossas bases. Os nossos parlamentares ingressam no grupo, toda equipe técnica e as pessoas que querem discutir, não só da nossa militância, têm aquele link. Elas podem entrar no grupo e participar do debate. Têm a oportunidade de ouvir o ponto de vista dos seus representantes e, no final, nós colocamos uma plataforma de votação. Isso nos ajuda a pautar o nosso voto dentro da Câmara. O último grupo chegou a 430 (participantes) e 7.500 votos.

Onde as pessoas podem encontrar esses links? Como podem participar?

Tem na plataforma do Podemos. Nós colocamos a votação, que pode ser compartilhada e pode nos pautar. Nós também temos uma prática que qualquer cidadão pode propor um projeto de lei. Com 20 mil apoiadores, a nossa bancada se compromete a protocolar na Câmara Federal, mesmo que nós não concordemos.

Você tem uma ruptura no mundo inteiro, que é a maior crise de representatividade de todos os tempos. 89% da população não se identifica com partido nenhum. E esta crise de representatividade, que não é peculiar do Brasil, nos fez refletir: Por que isso está acontecendo? Quem está falando com esta nova geração, com esta nova sociedade conectada? Hoje, a tecnologia, além de eleger os seus representantes, está exigindo dessa nova sociedade uma política mais direta.

A senhora é relatora da PEC da Reforma Eleitoral. Quais são os principais pontos desta reforma e quais são os riscos do Centrão colocar algum jabuti para prejudicar a evolução do nosso sistema eleitoral?

Na co-relatoria, eu não acho que vai ter jabuti, até porque, como é uma PEC, qualquer emenda precisa de 308 votos. Não é fácil colocar os jabutis. A ideia nesta reforma é abordar alguns pontos, que têm a ver com este princípio que o Podemos defende de uma democracia mais participativa – além do sistema eleitoral e das cadeiras efetivas no colégio (eleitoral), que devem ser os pontos mais polêmicos da PEC. Mas a gente vai tratar também da redução do número de assinaturas para projeto de lei de iniciativa popular e também a garantia de que eles tenham uma tramitação diferenciada na Câmara. Outro ponto que nós queremos colocar é a permissão para que se tenha plebiscitos durante o processo eleitoral, como acontece nos Estados Unidos. E, talvez, até prever um já para a próxima eleição – ou sobre unificação de eleição ou sobre parlamentarismo.

A senhora está confiante de que consiga aprovar essas mudanças?

A gente está tentando uma composição, um acordo. Eu acho que, a princípio, pode caminhar bem. Nós estamos trabalhando pra isso. Acho que esses pontos não têm muitas divergências.

Qual a senhora prefere: o sistema distrital puro ou misto?

Eu prefiro o distrital misto. A gente está bolando um modelo de transição, tipo um distritão misto. É muito parecido com o distrital misto. Seria muito difícil dividir os distritos até as eleições. Nós poderíamos fazer esse distritão misto agora, que seria exatamente igual ao distrital misto, com um diferencial de que a metade das vagas seria do distrito, ser o mais votado do estado, e a outra metade no proporcional, como a transição para um distrital misto nas próximas eleições.

Bolsonaro falou tanto durante a campanha que não tinha conhecimento das pastas, mas que iria escolher os melhores e, quando estes melhores começam a ter mais destaque que ele, aí o ego fala mais alto, a sombra incomoda, e você começa a colocar um monte de militar, mas que vão ser subordinados a uma pessoa que, durante toda sua campanha, falou que não conhecia nada de nada.

Como a senhora avalia este Congresso atual? Temos visto um retrocesso enorme em relação ao combate à corrupção. Como isso foi acontecer? Por que tantas derrotas para as nossas pautas de combate à corrupção?

Eu fico muito triste e decepcionada. Nós tivemos o senador Alvaro Dias como nosso presidenciável, mas quando o Bolsonaro ganhou a eleição, no início do mandato dele, eu  fiquei muito feliz porque ele escolheu o Mandetta, o ministro Sergio Moro. A gente imaginava que, de fato, ia ter uma ruptura. Aí, de repente, nós vemos a saída de Moro porque não compactuava com as ingerências do governo no combate à corrupção – isso é fato e notório: a mudança no comando da Polícia Federal, as indicações que o presidente fez. Então, você vê um homem como o Mandetta – um médico, um cara preparado para conduzir a saúde pública – ser recriminado pelo presidente da República por defender as políticas básicas de prevenção. Ele falou tanto durante a campanha que não tinha conhecimento das pastas, mas que iria escolher os melhores e, quando estes melhores começam a ter mais destaque que ele, aí o ego fala mais alto, a sombra incomoda, e você começa a colocar um monte de militar, mas que vão ser subordinados a uma pessoa que, durante toda sua campanha, falou que não conhecia nada de nada. Fica difícil acreditar que isso possa dar certo.

E também entra o Centrão apoiando este estelionato eleitoral

Quando você não tem política – porque a política é diálogo, são composições boas para o País – fica nisso do toma-lá-dá-cá, barganha que, segundo ele, é necessária para manter a governabilidade. Eu não acredito! Acho que, quando o governo vai bem, quando tem políticas públicas, quando o parlamentar é valorizado por estas políticas publicas, você constrói um governo pelo respeito.

A senhora tem conversado com o Sergio Moro sobre a candidatura dele para presidente em 2022. Como estão essas conversas? A senhora está esperançosa? 

Ele vai tomar uma decisão até outubro. Ele é um homem que contribuiu muito para o País e tem hoje, sem dúvidas, o maior potencial político. Mas esta é uma decisão que cabe a ele e somente a ele. Entrar na política é uma decisão que, naturalmente, afeta a sua família e outras coisas. Ele já tomou a decisão de ser ministro e largou uma carreira sólida por algo que ele acreditava e se desapontou. Mas nós temos esperança e acreditamos em estar juntos. De qualquer forma, o Podemos vai trabalhar para ter um projeto para o Brasil, ter uma alternativa. 

Como é que vocês estão se preparando para receber o Moro no partido? Muitos lavajatistas estão revoltados com alguns quadros do Podemos, como o senador Eduardo Girão, por exemplo, que defende o governo com unhas e dentes, depois de tudo o que Bolsonaro fez com o Moro e com o Brasil… 

Não é porque eu vou ter o Moro candidato que tudo o que o Bolsonaro propuser eu serei contra. O posicionamento do Podemos é de independência. O que é bom do Bolsonaro, nós vamos defender. Tendo candidato ou não. 

O Girão é um dos que defendem a candidatura do Moro. Agora ele tem estas posições dele que, de fato, nem a gente tá compreendendo. Eu estava até discutindo isso com Reguffe e ele disse: “Sabe o que é pior, a gente que conhece o Girão, sabe que, de fato, ele acredita na cloroquina”. Esta posição dele tem incomodado todos nós.

Até a cloroquina? 

Essa questão do Girão é muito terrível, por quê? O pessoal fala muito que ele é bolsonarista, mas o requerimento mais comprometedor contra o presidente da República foi do Eduardo Girão. Ele quer a investigação de fatos da CPI. É que a CPI foi criada para fazer palanque eleitoral, criar uma oposição ao Bolsonaro. Mas o Girão, desde o início e muito antes disso virar decisão do Supremo, já tinha pedido uma CPI para investigar o governo federal, os governos estaduais e as prefeituras. O Girão quer que se investigue tudo. Ele não acha correto que isso fique restrito somente ao presidente da República. A questão da cloroquina, que eu não concordo e nem o Alvaro (Dias), é uma opinião dele. E não tem nada a ver com ele ser Bolsonaro ou não ser Bolsonaro. Hoje, no Brasil, existe muita arbitrariedade, por exemplo: se eu defendo a vacina, eu sou Doria. O Girão age com a cabeça dele. Ele defende a cloroquina e ponto.

Mas ele chegou a mencionar que a vacina foi feita com feto, uma ideia bem “olavista”. Acho importante esclarecer isso pra gente entender a posição do partido. 

Será que ele não perguntou isso por que tem aquela questão da vida? Ele é muito envolvido com a pauta religiosa. Mas o Girão é um dos que defendem a candidatura do Moro. Ele pode ter posicionamentos parecidos com o Olavo, parecidos com o Bolsonaro, mas dizer que ele é governista, sinceramente… Ele não é governista. O José Medeiros é governista. Agora ele tem estas posições dele que, de fato, nem a gente tá compreendendo. Eu estava até discutindo isso com Reguffe (senador do Podemos) e ele disse: “Sabe o que é pior, a gente que conhece o Girão, sabe que, de fato, ele acredita na cloroquina”. Esta posição dele tem incomodado todos nós, os senadores. Agora, como houve um acordo dele falar na CPI, aí fica uma situação muito delicada. De fato, tem incomodado todos nós. 

Como estão os preparativos para o “projeto Moro” – como denominou o Alvaro Dias?

A gente aguarda muito a decisão dele. O que acontece até lá? Até lá, tem os palanques estaduais. Não adianta começar a campanha se ele não se posiciona. O que a gente tem conversado muito hoje é a definição da parte política: são os palanques estaduais, é a construção da chapa, dos soldados que vão carregar o Moro. Eu estou indo para o Mato Grosso do Sul. Temos uma deputada federal que está vindo para o partido e é nossa candidata a governadora. Então, ela dá o palanque pra ele lá. Agora é hora da gente construir a política. No paralelo, a gente tem conversado muito com o DEM. Eu conversei muito com o Moro… Porque a gente tá falando com esse centro mais ideológico. O Mandetta está conversando com Moro, o Amoêdo também. A gente quer, em breve, até anunciar uma pré-aliança para se criar um candidato de centro. Se não for o Moro, se o Moro não quiser, que a gente tenha uma alternativa. Agora, eu acredito que o Moro virá. Um bom soldado não pode fugir à luta. Ele, de fato, é o candidato com maior potencial eleitoral de todos.  

Quem seria o vice ideal para o Moro, na sua opinião? 

Eu gosto do Mandetta. 

E pensaram em alguma mulher para vice? Quem sabe Renata Abreu (risos).

Ah, não! Eu vou ficar deputada (risos). Eu acho que tem excelentes mulheres, empresárias, pessoas do bem que fazem trabalho social também. Tem muita gente boa. A questão é que a gente precisa buscar… Por exemplo, se ele está no Sul – se bem que Moro é uma pessoa mais ampla – você busca alguém com algum conceito ou força política no Nordeste. 

Mas o Mandetta teria que sair do DEM, certo?

Eu acho que o DEM não vai com Bolsonaro. 

Eles cogitam lançar o Mandetta, mas teve um papo na imprensa de que o Mandetta iria para o Podemos. 

O Mandetta é muito amigo meu. Todo partido tem algum problema. Você tem parlamentares mais vinculados ao Bolsonaro, mas isso não significa que o partido vai caminhar com o Bolsonaro, no final das contas.

O Moro hoje tem um carimbo que ninguém tira dele. Ninguém combateu a corrupção como ele, não adianta. Essa bandeira é dele, o anti-PT é dele, o lavajatismo é dele.  

Como a senhora analisa a capacidade do Moro como presidente? Ele está pronto para lidar com o mundo político? Quais as principais vantagens que ele tem? 

O Moro é um homem extremamente inteligente. Fiquei impressionada quando eu conversei com ele. Você fala uma hora com ele, ele te ouve e resume tudo o que você falou de uma forma perfeita. Ele é um homem extremamente humilde. É um homem que me surpreendeu de verdade. Isso é muito bom. Ele pede conselhos, ele ouve muito. Pessoas assim aglutinam. É natural que ele seja mais desconfiado. Depois do que ele viveu, não é pra menos. Ele acreditou. Então, é natural que ele tenha reservas, uma certa resistência. O Moro hoje tem um carimbo que ninguém tira dele. Ninguém combateu a corrupção como ele, não adianta. Essa bandeira é dele, o anti-PT é dele, o lavajatismo é dele.  

É possível reverter este acordão do sistema corrupto pela impunidade? O Moro chegando à presidência, junto com o Podemos, o que fariam para reverter este quadro?

É completamente possível! O Alvaro (Dias), quando foi governador, não tinha uma denúncia. Foi um dos melhores governadores do estado. Como foi possível? Com ética, com comando.

Para finalizar, a senhora poderia mandar uma mensagem para todos que estão acompanhando o Moro e o Podemos, e torcendo para que tudo dê certo?            

A gente não pode perder a esperança jamais. E nós estamos trabalhando neste sentido, para contribuir para que o Brasil acenda uma nova esperança, agindo para transformar e unir o Brasil com moralidade, ética, decência e tudo que tem de bom. Não vamos desistir. Vamos trabalhar para que esse sonho se realize.

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