O CLUBE DA TERCEIRA VIA

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Com a percepção de que há um vácuo no poder e uma polarização forçada entre Lula e Bolsonaro, a terceira via está na pauta. Alguns quadros se oferecem para ocupar efetivamente essa lacuna, que não apenas seria preenchida, mas sepultaria a falsa dicotomia que domina o debate.

Nomes como Simone Tebet (MDB/MS), João Amoedo (Novo/RJ), Luís Henrique Mandetta (DEM/MS) e Alessandro Vieira (Cidadania/SE) são vistos no radar da terceira via. No entanto, para que ela prospere, há de haver consenso como forma de aglutinar os pré-candidatos em torno de um nome viável.

Fazer política é ceder em alguns pontos e abrir concessões em outros. Trata-se de uma arte designada a poucos; negociar dentro dos parâmetros éticos e morais e, qualquer excepcionalidade, não é política. Por essa razão, muito se discute sobre a marginalização da política como uma tônica na atualidade, o que discordo.

Nomine-se os vetores da má política, pari passu, que no curso da política de boa fé, saibamos reconhecê-los sem sabujice. Estamos em uma guerra de retóricas infelizes, e “a guerra é a continuação da política, por outros meios”, frase celebrizada pelo estrategista prussiano Carl Von Clausewitz. 

O nome de Sergio Moro grassa no Clube da Terceira Via, nome que encanta uma parcela substancial da população, pelo reconhecimento de sua folha de serviços prestados na magistratura e, mais tarde, no Ministério da Justiça e Segurança Pública. O contraponto está na cúpula do poder legislativo, de onde surgem medidas como a proposta apresentada pela deputada federal Margarete Coelho (PP/PI), que reprime candidaturas de juízes, promotores, delegados e militares, o que afeta frontalmente ao ex-ministro e ex-juiz e a de qualquer outro que se dispuser ao pleito, independentemente do cargo que venha a disputar, qualquer que seja a linha, programática ou ideológica – afetando inclusive ao general Pazuello, pupilo do atual mandatário da Nação. 

Em se tratando do avanço na terceira via para enfrentar o status quo, o mais interessante é a aglutinação dos nomes de centro. Assim sendo, a despeito de outros grandes nomes, Sergio Moro é capaz de catalisar os votos dessa seara.

A proposta esdrúxula apresentada para figurar no Código Eleitoral será votada em regime de urgência, prevê a validade a partir de 2022 e, caso prospere na Câmara dos Deputados, provavelmente será mitigada no Senado Federal, onde compulsa a eleição majoritária, em detrimento da eleição proporcional aplicada na Câmara, o que exporia os atores da casa mais alta do parlamento. Trocando em miúdos: os senadores da República não vão querer “rifar” o prestígio que lhes assegura o poder.

O senador Alessandro Vieira, mais novo integrante do Clube da Terceira Via, era um mero desconhecido do público fora do seu reduto eleitoral, mas, após se destacar na CPI da Covid, ganhou status de expoente contra o atual governo. Vieira é o nome mais palatável até o momento, contando, claro, com o oportuno silêncio de Sergio Moro.

Vieira foi um destacado delegado de Polícia no Sergipe, o que lhe conferiu, em 2016, a nomeação para comandante da Polícia Civil em seu estado. Entretanto, ao confrontar graúdos operadores de corrupção sistêmica, fora exonerado por Jackson Barreto (MDB), em 2017 – o mesmo governador que o nomeara um ano antes. Uma trajetória que, em certa medida, nos remete a Sergio Moro e à Lava Jato, que em resposta, pune quem deve punir, mas por sorte dedica merecido reconhecimento, viabilizando-o como postulante à Presidência da República.

Cada um que se apresenta traz consigo um importante capital político. Em se tratando do avanço na terceira via para enfrentar o status quo, o mais interessante é a aglutinação dos nomes de centro. Assim sendo, a despeito de outros grandes nomes, Sergio Moro é capaz de catalisar os votos dessa seara, o que leva a crer que a base da terceira via está se formando.

Distantes do Clube da Terceira Via situam-se o PSD (Partido Social Democrata), de Gilberto Kassab, e o PSDB (Partido Social Democrata do Brasil), de FHC, mas também de João Dória e Eduardo Leite, que almejam galgar o posto de candidato a Presidente da República. Seriam bem-vindos ao clube, uma vez que colaborariam na derrubada da aventura Bolsonaro. A reboque, ajudaria a recolocar o Brasil nos trilhos, sob a égide de quem pode escrever uma nova história com a pena da justiça. O povo está aplastado do clima hostil, do discurso belicoso, da condução aurívora da coisa pública. 

Dória tem capitalizado muito bem no quesito vacinação, enquanto Leite tem saneado as contas do Rio Grande do Sul. Que seja então uma alvissareira rotina para que reúnam boas condições para outras eleições, porque agora, mais que nunca, o Brasil precisa de união em torno de uma política estruturante.

O Clube da Terceira Via está formado! A cabeça, será confirmada em outubro de 2021. Sergio Moro é viável e está no páreo. A era da guerra dicotômica está chegando ao fim!

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