A PESQUISA MAL INTENCIONADA E A FALSA TERCEIRA VIA

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Desde que criaram esse termo “terceira via”, logo apareceram candidatos dispostos a abocanhar essa fatia de mercado que cresce dia a dia, mas que as pesquisas não mostram. Não mostram porque são pesquisas estimuladas com perguntas elaboradas pelos próprios institutos ou por clientes que as encomendam, sejam partidos, entidades de classe ou associações. Antes de mais nada, vamos aos  conceitos de “pesquisa estimulada” e “pesquisa espontânea”.

Na pesquisa estimulada, o entrevistador faz a pergunta e mostra uma série de opções para que o entrevistado escolha uma ou mais alternativas, enquanto na espontânea, a pergunta é feita e as respostas, quaisquer que sejam elas, são registradas. Apenas como exemplo, numa pesquisa estimulada com a pergunta “em quem você votaria”, podem aparecer as opções: “Lula”, “Bolsonaro”, “Ciro”, “Moro” e “não sei dizer”. Sempre lembrando que o cartão com as opções deve ter formato circular para que não mostre nenhuma ordem – nem mesmo alfabética –, evitando assim que, por impulso, o entrevistado seja influenciado pelos primeiros da lista. Na pesquisa espontânea, a mesma pergunta terá resposta em aberto e o entrevistado responderá o que lhe vier à cabeça, desde um nome qualquer que nem aparece na mídia, um “não sei dizer”, “votarei em branco”, “anularei meu voto” e até que “nenhum político presta”. Poderá ter centenas de respostas que serão depois organizadas para que o resultado seja apresentado.

Estatística é ciência e vale lembrar que pesquisas não têm nada a ver com enquetes que são consultas sem o menor valor científico. Não há ciência nessas “pesquisas estimuladas” com perguntas mal elaboradas e que excluem opções importantes, seja por incompetência técnica ou desonestidade intelectual.

Simples assim? Não! Na verdade, é como a maioria dos eleitores pensa e, em alguns casos, partidos, candidatos e até alguns institutos mal intencionados querem que eles pensem. Trabalhei durante muito tempo com estatística, seja a voltada para processos industriais, de marketing ou científicos. Estatística é ciência e vale lembrar que pesquisas não têm nada a ver com enquetes que são consultas sem o menor valor científico. Por outro lado, também não há ciência nessas “pesquisas estimuladas” com perguntas mal elaboradas e que excluem opções importantes, seja por incompetência técnica ou desonestidade intelectual. Tendenciosas, mostram aos entrevistados apenas as opções desejadas e omitemas indesejadas.

Einsten dizia: “Se eu tivesse uma hora para resolver um problema e minha vida dependesse disso, eu passaria 55 minutos definindo a pergunta certa antes de me preocupar com a resposta certa”. E em termos de pesquisas estimuladas, tecnicamente corretas e bem intencionadas, as perguntas certas e bem elaboradas gerarão opções de respostas corretas e resultados confiáveis. Porém, antes de escolher as perguntas que serão feitas aos entrevistados, a primeira que se deve fazer é: “O que pretendemos descobrir com essa pesquisa?”. E o que temos visto são pesquisas feitas de modo intempestivo, mal elaboradas e que promovem verdadeiras orgias analíticas, com afirmações e comentários imprecisos que não se sustentam na lógica dos resultados numéricos que foram obtidos e apresentados. 

As que tentam dimensionar a terceira via são exemplos dessa orgia interpretativa. Sem entenderem muito bem o que ela significa, nenhum instituto de pesquisas até agora conseguiu medir o tamanho real dessa fatia do eleitorado que será decisiva nas eleições de 2022. E como se faria para criar uma pesquisa que identificasse com certa precisão o percentual de eleitores da terceira via? Esse é um problema exclusivo dos institutos que ganham rios de dinheiro para fazer seu trabalho. Estamos aqui apenas para concordar, discordar, identificar e denunciar essas tentativas mal intencionadas de enganar o eleitor. No entanto, podemos dar algumas dicas aos institutos. Há uma pauta que define os eleitores desse segmento, e não apoiar nem Lula nem Bolsonaro é apenas um dos quesitos exigidos. Ser ficha limpa, combater a corrupção, apoiar a Lava Jato e seus procuradores, ser a favor do impeachment, rejeitar nomes recomendados pelos caciques e partidos que protegem seus políticos bandidos são outros igualmente importantes, e poucos passam nesse filtro. A maioria dos candidatos e partidos, prefere manter Bolsonaro sangrando até 2022 ao invés de impedi-lo. Isto porque, mantê-lo no governo defendendo seus filhos, amigos e a si próprio também garantirá a impunidade dos enrolados com a justiça abrigados e protegidos por suas legendas.

Apenas como exemplo, cito Simone Tebet, senadora que tantos elogiam por sua performance na CPI da COVID, tendo sido até indicada por eleitores como candidata à presidência. Não se esqueçam de que ela votou contra o afastamento de Aécio Neves.

Apenas como exemplo, cito Simone Tebet, senadora que tantos elogiam por sua performance na CPI da COVID, fazendo perguntas inteligentes e oportunas, tendo sido até indicada por eleitores como candidata à presidência. Porém, muita calma nessa hora! Não se esqueçam de que ela votou contra o afastamento de Aécio Neves. Não sei o quanto esse fato poderia pesar em seu histórico político, mas é depreciativo em relação ao que se espera de uma legítima candidata para a terceira via.

Portanto, tanto institutos de pesquisa tendenciosos quanto candidatos que se colocam como opção para abocanhar esse nicho eleitoral, que fiquem atentos às pautas que filtram e eliminam os oportunistas de plantão. Vale também para a imprensa ideológica, aquela que, dissimuladamente, quer sempre meter-nos goela abaixo seus políticos de estimação, esquecendo-se de que é ela mesma a responsável pela pluralidade das críticas que alimenta nosso banco de dados e que aperfeiçoa  o nosso bom discernimento.

Para mim, Sergio Moro ainda é o único candidato legítimo da terceira via, porém, espero que apareçam outros, incluindo Câmara e Senado. Não queremos heróis, mas sim pessoas com passado digno e honesto que estejam dispostas a transformar este país.

Políticos já perceberam que a cada dia a consciência do povo cresce. Que a imprensa também perceba essa nova realidade e que os institutos de pesquisas consigam medi-la de forma isenta e responsável.

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